Mapeando a esquerda: os níveis de poder

direita-esquerda

Este texto tem como pretensão mapear os níveis de poder e influência dentro da esquerda política no Brasil, assim como compreender os princípios básicos de pensamento e ação de cada nível.

Começo categorizando a esquerda brasileira em 3 níveis: o nível ideológico,  o nível estrutural e o nível funcional. Segue uma breve descrição inicial de cada nível:

Nível ideológico: este é o nível superior de influência e poder. Aqui estão os “velhos lobos” da esquerda brasileira, que são os mais preparados para dirigir o aparelho estatal e manipular os demais níveis, mantendo tudo dentro da esfera ideológica socialista/progressista. São hábeis em conduzir o jogo político pela dialética dos contrários.

Nível estrutural: este nível não é, necessariamente, guiado por alguma ideologia. Aqui o interesse que move seus componentes é o interesse econômico e a participação nas esferas do poder, pelo simples desejo de manter um alto status social e político, e acesso às fontes de riqueza fácil, seja por favores estatais ou qualquer outro tipo de maracutaia. Este nível não compete com o nível ideológico por não ter preparo para isso, no que concerne às estratégias de guerra política. Apesar de despreparados na guerra política, são espertos o suficiente para se manterem no jogo do poder como beneficiários indiretos.

Nível funcional: aqui se encontram todas as pessoas da esquerda utópica, incluindo estudantes universitários, membros de movimentos sociais, jornalistas e formadores de opinião de menor grandeza, entre outros. Este é o nível da militância política, e por isso mesmo é o nível das “massas” da esquerda. Quando o nível ideológico precisa atacar seus oponentes, recorrem ao nível funcional, para “soltar os cachorros” em cima do inimigo.


Definido os níveis, vamos aos seus detalhamentos.

O nível ideológico é formado por pessoas que costumam dedicar suas vidas à guerra política, e por isso são as mais preparadas dentro do espectro da esquerda. Estes já ultrapassaram o nível da utopia tola, e já compreenderam que tudo na esquerda se trata da obtenção do poder, para destruição da “antiga ordem” e para a reformulação de toda a sociedade de acordo com seus critérios. Por terem ultrapassado o nível funcional, conhecem bem a mente dos “idiotas-úteis” deste nível, e por isso mesmo sabem persuadi-los muito bem. Estes agentes ideológicos são os que realmente compreenderam a teoria marxista, que nada mais é do que uma teoria formulada para a total destruição da ordem social vigente, que será substituída por um “caos controlado”. Obviamente, quem controlará este caos será justamente quem o fomenta: os marxistas do poder. Para se chegar neste nível, a psicopatia em patamares máximos é um pré-requisito. Olavo de Carvalho nos dá uma bela definição para a psicopatia:

Todo psicopata é, por definição, psicologicamente invencível. Por mais que você lhe mostre seus erros e prove os seus crimes, ele continuará não só proclamando inocência, mas cantando vitória.

O psicopata não sente culpa, não sabe o que é o arrependimento interior, mas foge da vergonha exterior com uma obstinação inflexível, defendendo com a ferocidade de mil leões o único patrimônio moral que possui: o amor próprio.

No nível ideológico, o indivíduo é incapaz de sentir culpa quando pego em seus crimes. Sente-se sim injustiçado, e é tratado como herói pelos seus pares, a exemplo dos condenados do mensalão. A alta cúpula do PT (Lula, José Dirceu, José Genuíno, Dilma Rouseff, Gilberto Carvalho, Franklin Martins, Rui Falcão, etc.) é toda composta de psicopatas. O mesmo vale para os líderes dos partidos menores da extrema-esquerda, dos quais muitos são ex-petistas, e os líderes de movimentos sociais. Além destes, existem os ideólogos-gurus da esquerda (talvez os de mente mais psicopática), os quais orientam intelectualmente não só a alta cúpula como toda a militância. São os intelectuais que estão comprometidos até o pescoço com as ações políticas da esquerda, indo desde os “filósofos” Emir Sader e Marilena Chauí até o educador Paulo Freire e o pseudo-religioso Frei Beto (um dos idealizadores do PT). Além destes, temos os incontáveis intelectuais orgânicos formadores de opinião, representados na figura de professores universitários de maior renome e jornalistas/chefes de redação da grande mídia. Seria impossível citar aqui todos os nomes. O importante é ter em mente que todos os membros do nível ideológico já superaram há tempos a ingenuidade do nível funcional, e hoje se utilizam destes mesmos funcionais para compor a massa de militantes, que os ajudarão a obter força política e angariar fundos para o cumprimento de seus propósitos abjetos.

O principal método de ação do nível ideológico é o mesmo usado desde sempre pelos comunistas: a dialética de Hegel. O uso deste método significa, de forma simplificada, jogar com os contrários. Os antagonismos criados por eles mesmos ou pelas próprias circunstâncias são aproveitados de uma forma ou de outra. Se valendo deste jogo dos contrários, eles criam problemas e logo em seguida se apresentam como a solução redentora. É fácil notar este método dialético botado em prática: basta ver, por exemplo, quando a esquerda no poder se mete a falar de economia. Se a economia vai bem, eles se enchem de louvores e se auto-proclamam os bem-feitores da sociedade, fazendo acreditar que são os totais responsáveis por este mérito. Se a economia vai mal, na maioria das vezes por conta de seus intervencionismos desastrosos, aproveitam a situação para atacar a direita e seus princípios, lançando a culpa de todo o fracasso econômico em entidades abstratas como o “neoliberalismo”, ou como recentemente feito por Dilma Rousseff, delegando seus fracassos à “crise mundial do capitalismo”. Em seguida se apresentam como os “salvadores da pátria”, dizendo que podem resolver os problemas que eles mesmos criaram. Outro exemplo do uso da dialética dos contrários é no caso em que a esquerda, por um lado, promove o banditismo (como citei em artigo recente), e por outro se aproveitam do caos estabelecido para promoverem manifestações anti-PM, polícia da qual os esquerdistas querem se livrar por não terem influência ideológica sobre ela. Logo após apresentam a solução para o problema: a criação de uma polícia nacional unificada e subordinada ao governo federal (que é justamente o caso das Guardas Nacionais Bolivarianas criadas na Venezuela e Argentina, que nada mais são que braços armados diretos do presidente). No fim das contas, o objetivo é sair ganhando, de um jeito ou de outro.

* * *

O nível estrutural é o mais simples de ser explicado: aqui a ganância fala mais alto. Se encontram neste nível todas as ratazanas do poder, ávidos por um um lugarzinho ao sol. A aristocracia coronelista e os políticos da velha oligarquia encontram seu reduto neste nível. Também se encontram neste nível todos os políticos e funcionários públicos carreiristas, que se contentam em apoiar o governo (seja ele qual for) em troca de benesses e da manutenção de seus status. O nível estrutural, pelo seu tamanho e força, acaba permitindo que o nível ideológico detenha o poder, uma vez que são facilmente corrompidos por dinheiro e cargos públicos importantes. Assim acabam por apoiar, sem maiores questionamentos, as diretrizes dos ideológicos. Esta é a exata realidade do Brasil atual, em que a maior parte da classe política já foi corrompida pelo PT, tanto pelos mensalões quanto pela distribuição de cargos importantes e ministérios. Da mesma forma, a máquina pública também foi majoritariamente corrompida, uma vez que o governo gasta boa parte dos recursos estatais para a manutenção desta máquina inchada, cada vez mais ineficiente e onerosa. Os que não foram corrompidos costumam ser os servidores públicos honestos, que por este motivo mesmo não possuem influência direta nas estruturas de poder, além de alguns gatos pingados dentro do congresso, que sozinhos, acabam sendo suprimidos pela voz da maioria corrompida.

* * *

Agora vem o nível mais interessante, e talvez o mais heterogêneo e difícil de ser compreendido: o nível funcional. Neste nível, encontramos todos os tipos de pessoas. O que as une dentro de uma classificação comum é a uniformidade de pensamento. Esta uniformidade não é adquirida por acaso; geralmente estas pessoas passam anos de suas vidas recebendo influência ideológica esquerdista, tanto nas universidades quanto na mídia progressista. O nível ideológico possui a importante habilidade de manter os funcionais dentro dos muros ideológicos por eles estabelecidos. A bibliografia e os assuntos propostos por eles norteia todo o debate político acadêmico e midiático, levando todo o nível funcional a debater os problemas da realidade sob uma ótica esquerdizante, utilizando-se dos próprios termos e jargões definidos por esta elite intelectual. Obviamente não estão a tratar da realidade em si, mas daquilo que compreendem como realidade, sempre limitados por estes muros.

Outra habilidade importante que os ideológicos possuem sobre os funcionais é a capacidade de fazê-los reagir de forma orquestrada, infundindo neles um mecanismo de defesa baseado em automatismos histéricos. Assim fazem com que a massa de militantes se comporte com extremo fanatismo em defesa dos falsos valores que lhes foram imputados. Este mecanismo de defesa cria um incrível e artificioso sentimento de recusa e desprezo por opiniões adversas, que faz o militante acreditar que a simples expressão de sua repugnância à visões divergentes da sua (que na maioria das vezes ele desconhece completamente, mas ouviu de antemão que é a pior coisa na terra) seja o suficiente para que o assunto não precise mais ser debatido.

Com este domínio do nível ideológico sobre o nível funcional, é perfeitamente compreensível que o primeiro faça uso do segundo de forma tão eficaz para atingir seus objetivos. Os movimentos sociais são nesse caso a expressão mais direta deste domínio. Utilizando-se de uma massa que segue a voz do megafone (aqui valho-me de uma metáfora, pois o megafone pode ser um professor marxista em sala de aula e seus seguidores os alunos que ali estão, convictos de que estão adquirindo conhecimento superior), vão avançando em suas agendas progressistas, com o intuito de minar e destruir os valores incompatíveis com o processo revolucionário, como os valores judaico-cristãos, os princípios básicos do capitalismo e as vantagens do livre mercado. Para se protegerem da visível superioridade intelectual de seus oponentes, os militantes dos movimentos sociais usam e abusam da histeria coletiva, agindo sempre em bando, como forma de intimidar um possível “agressor”. Não é atoa que sempre vemos grupos inteiros atacarem opiniões pessoais e isoladas de indivíduos, frequentemente se fazendo valer de cacoetes mentais e rotulagens de todos os tipos, como “fascista, nazista, homofóbico, racista, machista, misógino, sexista, reacionário, extrema-direita, neoliberal, tucano, etc.”. A figura do “opressor” é imediatamente internalizada, e, reagindo com uma carga emocional exagerada ao mero pronunciamento sonoro destes rótulos, se comportam como verdadeiros zumbis.

Toda essa histeria é adquirida pela internalização do conceito marxista de luta de classes. A necessidade constante de que haja sempre um conflito entre opressor x oprimido faz com que toda a visão de mundo do funcional se limite a esta ótica da realidade. Se originalmente o marxismo traduzia esse conflito de classes entre a burguesia e proletariado, hoje as classes “oprimidas” são as mais variadas, e daí surgem os conflitos entre gays x religiosos, negros x brancos, homens x mulheres, patrões x empregados, ricos x pobres, fazendeiros x sem-terra, polícia x favelados, etc. Dentro deste cenário de constantes conflitos, a histeria coletiva gera uma mania de perseguição psicótica, que num circuito retro-alimentar vai os mantendo vivos numa “luta” invisível e firmes na militância política, em busca de mais e mais “direitos”, que refletem apenas em mais controle estatal e mais poder para o nível superior que os controla. É de fato um cenário de uma loucura alucinante. Constantemente, para dar ares de legitimidade aos seus movimentos, os histéricos se apegam fortemente à casos isolados de violência contra gays, negros, mulheres, agressões policiais (como o caso da torcedora do Grêmio, o caso Amarildo ou o caso do gay que foi morto com uma lâmpada). Citam casos como estes sempre que podem, e os generalizam de forma imensamente grotesca, empurrando goela abaixo a noção de uma sociedade inteira que culturalmente os oprime. Fica claro que os ideológicos usam estes casos como meros mecanismos simbólicos que despertam e incendeiam a militância, mesmo quando os números apontam inegavelmente para o fato de que a sociedade não se comporta, nem de longe, como eles dizem se comportar.

Engana-se, porém, quem imagine o histérico apenas como uma figura barulhenta e autoritária. Na verdade, o fingidor histérico pode agir com uma aura de naturalidade, calma e polidez que conseguirá ludibriar até os mais avisados. Neste caso, o sujeito está preparando o seu terreno para deixar de ser um mero funcional, e passar a ser um ideológico, adquirindo portanto a mentalidade psicopática em maior nível. O abandono da infantilidade utópica do esquerdismo e o avanço para a compreensão plena da sordidez e canalhice daquilo em que se meteu é um processo lúcido. Porém, ocorre que a pessoa prefere continuar neste caminho à ter que admitir que errou a vida inteira e renegar todo o seu passado e formação intelectual. Aqui a pessoa pode estar tomada por uma motivação quase diabólica de trilhar conscientemente os passos que a história já condenou, e durante este percurso, numa mistura de delírio e lucidez, vai alimentando a falsa esperança do “mundo novo”, do qual ela fará parte da sua idealização.

* * *

Neste cenário, há o casamento perfeito entre o nível ideológico (a psicopatia) e o nível funcional (a histeria). Um se utiliza do outro para existir. O nível estrutural é apenas aquela parte do processo que precisa ser regada a bajulações e regalias, para não atrapalhar.

Como dizia José Osvaldo de Meira Penna:

Os marxistas inteligentes são patifes; os marxistas honestos são burros; e os inteligentes e honestos nunca são marxistas.


Sugestões para leitura:

Artigo: Psicopatas – Olavo de Carvalho

http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14663-psicopatas.html

Artigo: Psicopatas e histéricos – Rodrigo Constantino

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/psicopatas-e-histericos/

Vídeo (palestra): Saul Alinsky e o império do mal – Silvio Medeiros

http://www.formacaopolitica.com.br/portfolio/saul-alinsky-e-o-imperio-do-radicalismo-politico/

Artigos: Rotinas esquerdistas – Luciano Ayan

http://lucianoayan.com/category/rotinas-esquerdistas/

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2 Comentários

  1. Republicou isso em Wesley's Bloge comentado:
    Estou reblogando este artigo, pois ele é um verdadeiro serviço de conscientização política da população. Existem 3 níveis de esquerda no Brasil. Eu fazia parte do Nível Funcional. Felizmente, depois de muito pensar, analisar os outros níveis superiores e depois de colocar a prova a prática e teoria esquerdista na prática, vi que estava errado. Porém, não tinha uma análise tão detalhada e clara como esta para me apoiar.

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    1. Agradeço as palavras Wesley. Bem vindo ao time. Todo esforço que fizermos daqui pra frente é importante para conscientizarmos as pessoas. Abraços.

      Curtido por 1 pessoa

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