A meritocracia corre perigo

O ódio ao mérito é o amor ao medíocre. 

É isso que penso quando vejo os carreiristas estatais enfurecidos com a possibilidade de serem medidos pelos méritos do exercício de suas profissões. Para os inimigos da meritocracia, a ausência de um propósito pessoal e profissional é o mais legítimo e defensável direito de uma pessoa ser e continuar sendo incompetente, indiscriminadamente. Este direito inviolável garante que nenhuma pessoa, por pior que seja em termos de desempenho, possa ser medida ou comparada à outra.

Existe a crença, construída pela mentalidade revolucionária, de que a competição é maléfica e nos leva à um primitivismo enquanto espécie humana. Estaríamos nos rebaixando ao nível dos instintos animais, que na natureza competem ferozmente entre si pela sobrevivência. Tal crença, porém, não se sustenta quando olhamos pela janela da realidade prática. O termo “competição saudável” é o que melhor explica esta realidade. O princípio da competição saudável é o de que existe uma competição em que os competidores, mesmo quando perdem, saem da competição melhores do que entraram. O esforço empregado pelo competidor para vencer, no final, o eleva à uma condição superior àquela na qual ele se encontrava antes. Mesmo que o vencedor tenha, por próprio mérito, superado o perdedor, a disputa de méritos irá, incondicionalmente, beneficiar não somente os competidores, mas todos os que estão em volta.

Por isso mesmo considero que as críticas à meritocracia são, no mínimo, impensadas, para não dizer maliciosas ou até irracionais. A esquerda, cuja força motriz está no discurso da desigualdade de classes, irá dizer que a meritocracia não funciona para quem nasce pobre, e que é muito fácil falar em mérito próprio quando se é rico.

Isso é falso.

É de fato condenável que ricos fiquem ricos não por mérito, mas por ilicitudes quaisquer. Se burlaram as regras do jogo limpo, da competição saudável, são pessoas que de fato não merecem respeito. Se o rico fica rico não pela competição, mas pelo favorecimento, pela corrupção, pela criminalidade, além de não merecer respeito, deve pagar por seus crimes. Neste ponto, o discurso da esquerda é inegavelmente correto. O rico não está competindo, mas apenas apropriando-se indevidamente dos esforços dos outros. Mas se a própria esquerda demoniza a meritocracia, ela cai em contradição. É como se dissessem que toda forma de prosperidade, com mérito ou sem mérito, é em si uma forma de exploração. A injustiça aqui estaria no simples fato de alguém se destacar dentre os demais. Se esse destaque se configura em desigualdade material, aí a coisa pega fogo, e o prato está servido; e é um prato cheio para o discurso manjado de desigualdade social.

Se é um discurso fajuto, por que ele ainda sobrevive com tanta força e convence tanta gente? A resposta é simples: porque nesse mundo os mais ricos não se enriquecem pelo mérito. Os super ricos hoje apenas aumentam e administram suas fortunas se utilizando de todos os mecanismos possíveis para, adivinhem só, burlar a livre competição meritocrática. 

Os mecanismos são os mais variados, mas todos eles dependem de um aparato governamental forte e regulador. A esquerda sempre faz a associação dos ricos com os corruptos do poder. Isto está correto, mas explica só uma parte da coisa toda. Os políticos da esquerda sobem ao poder fazendo discursos contra os ricos e políticos corruptos, prometendo utilizar-se da própria máquina estatal para fazer uma varredura ética e implantar um reino de igualdade e justiça. Para isso, advogam-se super poderes, ainda maiores que os poderes das elites burguesas as quais se dizem combater. Mas é justamente isto o que querem os homens mais ricos do planeta. São para lugares onde governos socialistas sobem ao poder que os maiores investidores internacionais migram muitas de suas riquezas, para que, contando com um aparato estatal gigantesco e fortemente regulador, se protejam da competição do livre mercado. Os socialistas, ávidos por mais e mais poder, aceitarão que estes ricos financiem seus projetos de poder. Neste ponto, se tornam automaticamente aquilo que eles criticam e prometem destruir. O movimento comunista internacional foi historicamente assim e continua o sendo: uma busca voraz e incessante de poder pelo poder.

A esquerda é repleta de pessoas bem intencionadas que apostam nas ideias revolucionárias para acabar com o sofrimento do mundo. Acontece que, dentro da própria esquerda política, estas pessoas não têm espaço. No máximo, se forem influentes e tiverem apelo às massas, serão usadas para reforçar o discurso da desigualdade, que fará com que as pessoas em geral votem em partidos de esquerda, estes sim repletos de mal intencionados ambiciosos, que já entenderam que o socialismo nada mais é que um discurso de convencimento do qual se tira proveito para subir ao poder.

Quando olhamos para os lados e vemos toda a desigualdade entre os homens, somos tomados por um inevitável sentimento de injustiça. Mas um dos caminhos para se diminuir esta desigualdade é estimular a meritocracia, e não censurá-la. A censura da meritocracia leva à igualdade na mediocridade, apenas. Porém, esta mediocridade atinge apenas o povo. A classe política estará protegida por si mesma de sua própria mediocridade, que quanto maior, mais será recompensada, às custas da miséria alheia. Se é condenável que alguém se destaque por mérito próprio, não haverá destaque nenhum, e ninguém fará nada de importante ou louvável neste mundo. A prosperidade sempre passou longe de ambientes onde o mérito próprio foi desestimulado sistematicamente.

Um pouco de desigualdade é, além de inevitável, necessário; estimula a competição saudável, que cresce através dos méritos pessoais dos indivíduos. A meritocracia é, sem dúvidas, o único meio digno e justo de haver uma batalha entre os homens, na qual, como disse antes, até os perdedores só tem a ganhar.

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4 Comentários

  1. Gostei bastante do artigo(Na verdade,de todos). Vi um pequeno erro:” estas pessoas não espaço.”

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    1. *Estas pessoas não têm espaço.

      Corrigido! Obrigado!

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  2. Rogério Fraga · · Responder

    Como é difícil falar de competição para esquerdopatas, como se eles ganhassem eleição sem competição, e pior, na lisura…

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  3. Parabéns!

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