Surge uma nova oposição?

Nos próximos meses teremos uma melhor perspectiva da oposição que o governo petista terá ao seu mandato. Mas já podemos dizer que os acontecimentos até este momento são surpreendentes. Após o “despertar” de Aécio Neves em sua campanha eleitoral, vimos pela primeira vez em muitos anos um verdadeiro opositor levantar a voz com firmeza contra o terrorismo eleitoral petista. Foi exatamente neste momento que o PSDB angariou os votos que teve, atraindo não só simpatizantes do partido mas uma enorme massa de anti-petistas, dispostos a votar em qualquer um que se insurja contra o lulopetismo.

Além da grata surpresa na campanha eleitoral de Aécio, outras surpresas surgiram. Alguns discursos de oposição pós-eleição no Congresso Nacional surpreenderam pelo tom firme e coerente de uma verdadeira oposição. Me parece que aos poucos os deputados e senadores começam a entender que o PT é um partido com inclinações anti-democráticas, e que, além de terem perdido as rédeas da economia, não pretendem se esforçar muito para retomá-las. Os petistas darão prioridade nos próximos quatro anos à instauração de suas “reformas”, que visam modificar as regras do jogo, tornando o próprio partido parte indissolúvel do sistema, descartando a democracia e distorcendo a Constituição. Conseguindo mudar as regras do jogo, não perderão mais.

Dentre as surpresas pós-eleição, eu destaco o discurso do senador Aloysio Nunes, que foi candidato a vice-presidente com Aécio Neves. Aloysio foi atacado pela máquina de assassinato de reputações petista, e desabafa:

Não sei qual é a posição ideológica de Aloysio Nunes, ou, em termos claros, qual é o seu nível de “esquerdismo”. Mas isto não importa tanto agora. O que fica claro em seu discurso é que, independente de suas posições, ele está vendo que a turma da esquerda radical joga sujo. Ao final, ele fecha seu discurso de forma enfática: “Não faço acordo! Não quero ser sócio de um governo falido, e nem ser cúmplice de um governo corrupto!”. Com isto, ele responde ao chamado de Dilma para um “diálogo” com a oposição.

Diante da sujeira e canalhice da campanha eleitoral petista, Aloysio cumpriu com dignidade o seu papel de não negociar com este governo. Este é o tom que deve nortear a oposição daqui pra frente. Os partidos de centro e centro-esquerda (que são hoje a oposição que temos à esquerda radical do PT e suas linhas auxiliares) devem sempre se manter alertas aos riscos que esta turma autoritária provocam ao país. Devem estar alertas ao fato de que se o PT obtiver êxito em suas intenções bolivarianas, a oposição será gradativamente amordaçada, e para salvarem suas carreiras políticas, terão que fazer sim acordos indignos e vergonhosos com este governo, que mais parece uma máfia de filmes italianos.

A oposição fez um excelente trabalho, já na retomada das atividades, ao rechaçar o decreto bolivariano dos conselhos populares (Decreto 8243), crucial aos petistas para “driblarem” o Congresso Nacional. Neste expediente, destaco também o discurso do deputado Arolde de Oliveira:

As palavras do deputado são importantes, pois coloca o embate em termos claros, definindo o decreto petista como a óbvia tentativa de instauração de um mecanismo de poder paralelo, de inspiração marxista-leninista. O deputado ainda aponta que apenas os partidos com esta vocação ideológica autoritária estão apoiando o governo nesta investida anti-democrática e anti-constitucional, que foi a mesma utilizada na Rússia, durante a implantação do comunismo.

A introdução dos termos “comunismo”, “marxismo-leninismo” em contraposição ao termo “democracia” é importante para definir os papéis da situação e da oposição neste momento. Apontar a raízes ideológicas da esquerda radical é crucial, para que cada vez mais as pessoas se conscientizem daquilo que está no “andar de baixo” das discussões político-partidárias.

À direita resta entrar no campo de batalha, apoiando aquilo que hoje mais se aproxima dela, que é justamente esta oposição ao regime petista. Existem questões emergenciais que no momento vão muito além das divergências ideológicas entre os “social-democratas” e a direita. Estamos à beira do colapso da República e a sua transformação em uma republiqueta socialista. A hegemonia da esquerda política no Brasil deve ser quebrada pelo próprio diálogo com os partidos de centro-esquerda, alertando-os sobre os riscos de sua própria ideologia, que quando levada a sério, faz surgir partidos como o PT e seus partidos auxilares, até mais agressivos.

Resta também saber se o líder desta esquerda democrática e dialogável, Aécio Neves, irá assumir seu papel, delegado à ele pelo próprio povo, incluindo boa parte dos direitistas, de oposição à este governo autoritário. Quando ele cita a frase do avô Tancredo Neves, “não vamos nos dispersar”, é importante que ele deixe claro também o que fará como líder desta união de pessoas em torno da sua figura. A oposição continuará sendo pusilânime ou surgirá a nova e verdadeira oposição que todos esperam?

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um comentário

  1. Assim esperamos. Já basta todo o clima suspeito que tivemos nessas eleições recentes. Ao menos oposição precisa existir. 🙂

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